Fato raro na magistratura de Minas e do Brasil, juízas exercem a totalidade dos cargos de comando da Comarca de Viçosa
A Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres, da Assembleia Legislativa de Minas, aprovou, em reunião realizada nesta terça-feira, votos de congratulações às juízas Giovanna Travenzolli Abreu Lourenço, Rosângela Fátima de Freitas, Daniele Viana da Silva Vieira Lopes e Isadora Nicoli da Silva, que compõem a totalidade do quadro de juízas de direito, hoje à frente da Comarca de Viçosa, na Zona da Mata Mineira.
Com a posse da magistrada Isadora Nicoli da Silva na Vara Criminal, em janeiro deste ano, a Comarca de Viçosa passou a contar exclusivamente com juízas em atuação na magistratura local. O deputado estadual Roberto Andrade (PRD), autor do requerimento que levou a aprovação do voto de congratulações e membro efetivo da Comissão, destacou que o fato constitui um marco histórico para a Justiça não apenas da Comarca de Viçosa, mas também é exemplo raro nos âmbitos estadual e nacional. “Esse acontecimento merece ser consignado nos anais desta Casa, pois simboliza a possibilidade de romper com estruturas ainda presentes em nossa sociedade que, lamentavelmente, minimizam ou desqualificam a capacidade feminina de alcançar posições de destaque”, ressaltou o deputado.
O deputado Roberto Andrade chamou a atenção, ainda, para as trajetórias profissionais das juízas, marcadas por histórias pessoais de mulheres fortes e determinadas que construíram, com esforço, talento e renúncia, carreiras exitosas. “Essas trajetórias servem de inspiração para inúmeras meninas e mulheres que, neste momento, sonham e realizam seus projetos de vida com independência e autoconfiança”, completou.
A baixa presença feminina nos espaços de poder também foi um tema abordado pelo Deputado Roberto Andrade durante a reunião da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres. O deputado destacou que a representatividade feminina nos podres executivos, legislativos e no próprio judiciário ainda estão longe de representar de fato uma sociedade hoje majoritariamente feminina. No âmbito do judiciário, por exemplo, estimativas indicam que as juízas representam cerca de 35% do corpo da magistratura, distribuído pelas 298 comarcas instaladas no Estado. No entanto, quando se observa o topo da carreira, verifica-se que, entre os 138 desembargadores, apenas 24 — cerca de 21% — são mulheres.

